Eulália, a Menina Peixe


Ataíde tão focado no que se passa lá em baixo, não dá pelo tempo passar e, ao ver que o sol começa a desaparecer para dar lugar à escuridão, levanta-se num pulo, como se acabasse de acordar.

Quando está prestes a partir, sente o que não consegue explicar. Parece-lhe ver a lua refletir-se na água como um caminho de prata, e então, começa a descer a ravina até sentir as pequenas ondas desfazerem-se a seus pés.

Envolto neste cenário fantástico, sente o pensamento a viajar para longe, e é de lá que ouve uma voz que mais parece um assobio.

Ataíde inclina-se, e projeta o queixo para apurar os olhos e os ouvidos, mas não vê nem pescador nem marinheiro.

De súbito, uma criatura pequena e delicada, iluminada pelo luar, emerge das águas, metade menina, metade peixe.

“Sou Eulália” diz-lhe ela numa voz doce e profunda como um sussurro.

O vento soltara-lhe os cabelos, e os seios nus são para ele a descoberta de uma sensação nunca antes experimentada.

Fica parado sem conseguir pronunciar uma palavra. Assim que ganha coragem para abrir a boca, uma gaivota dá um grito, e a pequena Sereia, que agarrava a cauda com força, mergulha, desaparecendo no manto negro das profundezas.

Ataíde estremece com a aragem fria e húmida, ficando sem saber se o que acabara de ver e ouvir fora um sonho ou realidade.