A Casa da Quinta


Na memória de Gervásio, as recordações muito vivas do início da Quinta do Castanheiro, levam-no a recuar no tempo e a pensar nos seus pais.

Os Marqueses Menezes de Sousa conheceram-se muito novos na cidade onde nasceram, e assim que casaram empenharam-se num desejo que tinham em comum, constituir uma família numerosa.

Durante alguns anos residiram num palácio, mas quando já tinham cinco filhos e o sexto vinha a caminho, sentiram vontade de os levar para o campo, e foi por essa altura que surgiu a ideia de uma Quinta.

Encontraram o lugar que procuravam, e logo mandaram construir um muro e uma casa. Teria de ser ampla como o palácio, para acomodar toda a descendência, filhos e filhas, os respetivos cônjuges e mais tarde os netos e netas.

A casa foi implantada de forma a destacar-se pelo tamanho e pelo estilo, no meio de uma zona densamente arborizada, sendo um tanto clássica, porém imponente e elegante.

Dividida em três pisos, reflete um espaço adaptado à ideologia e modo de vida de uma determinada classe da sociedade.

No piso térreo, além da cozinha e da sala de refeições principal, tem uma sala para receber visitas e uns quantos quartos para os criados; no primeiro piso, além do espaçoso salão há um mais pequeno para jogos e uma grande biblioteca; no último piso um enfiamento infindável de quartos.

Embora nesta casa tenham vivido várias gerações, com o tempo a família foi-se dispersando, tendo ficado o filho mais velho, Gervásio, responsável por tomar conta do património herdado.

Porém, ainda hoje, a casa da Quinta recebe ocasionalmente membros da família que vêm apanhar bons ares e matar saudades.

É o caso de um irmão e de uma irmã de Gervásio que esta noite irão marcar presença na festa oferecida pelo Marquês e sua mulher.



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