CAPÍTULO 3


Agostinho, o Desgraçado


Agostinho trabalhou em tempos como cavador nos campos da Quinta do Castanheiro.

Apesar de ali ter ido parar pela mão de Fulgêncio como homem trabalhador e de confiança, caiu em desgraça como um pobre coitado, enredado no vício de beber para esquecer um desgosto de amor.

Ainda estamos a meio do dia, e já ele em frente do portão da Quinta, passa com ar desmazelado, a cambalear, e a chinelar sem saber onde pôr um dos pés que vai descalço. Segurando uma bexiga que não larga e por onde vai bebendo, traz estampada no rosto uma roseta, como sinal de que segue ardente e bem aviado.

De boca escancarada vai cantarolando numa voz arrastada e aos soluços uma qualquer canção que, turva, lhe chega à cabeça.

Ele e o bicho que o acompanha para todo o lado causam grande aflição aos cães do Marquês, que logo desatam a ladrar sem parar.




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