Evaristo, o Galo


Evaristo, o Galo, de início era um desejo, depois um sonho, e logo uma esperança no dia em que, sem contar, o fui encontrar na mão de um amigo respeitável. Mostrou-mo de relance, mas com honras de majestade e, logo ali, a figura rara do azulejo avulso, um galo em todo o seu esplendor, foi admirado com paixão. E guardado em segredo a meu pedido, depois de garantir que voltaria para o levar.

Passaram-se dias, semanas, até surgir a tão aguardada oportunidade. O dono, a ele tão agarrado, dele não se queria apartar.

Foi preciso esperar algum tempo para o convencer, e então lá se dignou a estender os dedos, libertando o tão procurado.

Com exacerbada alegria, eu e o galo, finalmente juntos, viajámos para a Quinta, percorrendo ruas infindas e fugindo de uma cidade estranhamente vazia.

Evaristo, assim que chegou à sua nova moradia, anunciou com vaidade e sem demora que tinha vindo para reinar. E depois de ver quem o esperava na Quinta, exigiu, sem rodeios, ocupar o lugar do papagaio!



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