8 - Gerarda sente a falta do seu menino


Dona Gerarda, presa a um hábito antigo, do tempo em que era ama, levanta-se cedo. Começa por distribuir tarefas para o interior da casa, ao mesmo tempo que vai dando conta do sol a brilhar lá fora, anunciando um belo dia de primavera. Ao entrar na sua sala preferida abre o armário e vê o frasco com conchas que apanhava com Ataíde, quando saíam de manhã cedo para irem à prainha. Num instante é invadida por uma profunda saudade pela ausência do seu menino, agora já feito homem, que anda por lá a navegar num mar distante e sem fim. É com ele no pensamento, que resolve descer e sair de casa para se distrair. Pensa ir ao encontro de Gabriel, presumindo que a esta hora já deva andar pelo jardim. No percurso, encanta-se com o chilrear de Aníbal e com o aroma das alfazemas que crescem por entre as pedras à beira do caminho. Em que mar, em que porto, em que terra longínqua andará o seu menino? Olha em frente, como que à procura dele no infinito, mas ao longe vê apenas o jardineiro que anda colhendo rosas. Oh, se ao menos Ataíde estivesse para chegar! O Marquês disse-lhe que o verá em breve, não sabe o dia nem a hora, e assim, sem certezas, Gerarda leva a mão ao peito onde sente o coração apertado, e resigna-se na esperança de essa chegada não tardar.







8 - Gerarda misses her boy


While still thinking of Ataíde, Gerarda decides to go down and leave the house to find some distraction. She plans to come across Gabriel, assuming that he must already be walking in the garden. Along the way, she is enchanted by the chirping of Aníbal and the fragrance of lavenders that grow among the stones by the path.