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Introdução


“Um dia no jardim com Gabriel e os seus pássaros” é o terceiro conto a constar na plataforma do Museu Nacional do azulejo integrado na iniciativa: De PORTA ABERTA…escolha como quer “entrar”.


À semelhança dos contos anteriores, nomeadamente “Um dia na Quinta do Castanheiro” e “Um dia no mar com Ataíde, o Capitão”, o novo conto foi também concebido a partir de trios de azulejos datados entre os séculos XVII e XVIII.


Tal como o título sugere, a trama floresce a partir da personagem Gabriel, o velho jardineiro, breve protagonista em “Um dia na Quinta do Castanheiro”.


Agora ganha vida um homem de idade avançada, que vive com a mulher, a lavadeira Olívia, numa casa perto da Quinta tendo como missão cuidar do jardim do Marquês.

O velho jardineiro, entrega-se a esta tarefa com grande zelo, fazendo do jardim a sua razão de viver. Sempre assim foi e sempre assim será, pois nem o passar dos anos, que lhe levaram a visão, é impedimento para continuar a tratar daqueles canteiros com o mesmo prazer e dedicação.

O jardineiro não só aprendeu a ver com a ponta dos dedos como, por estar sempre muito atento aos seus amigos pássaros que cantam e debicam hastes aqui e ali, consegue identificar em que canteiro andam e assim “vê” onde está.


Os trios de azulejos nesta estória, são compostos na sua maioria por flores nos azulejos laterais e pássaros que ocupam o azulejo do centro. Estes adquirem uma existência caracterizada por traços de personalidade humana que dão sentido a um enredo com um toque de humor e ao mesmo tempo de atualidade.


Agradeço, uma vez mais, o apoio na concretização deste novo projeto à equipa do Museu Nacional do Azulejo, em especial a Dora Fernandes, à equipa de Manuel Capucho e de Manuel Leitão, à Fátima Sampaio e Luísa Martinho, ao Gustavo Suarez desenhador gráfico da Uzina Books, à Cristina Costa que fez a revisão do texto e ao Sérgio Manuel das Neves, meu irmão.