12 ~ Ataíde viaja pela europa


Por vezes, quando a vida é levada a um risco extremo, a vontade de seguir em frente torna-se mais forte e sobrepõe-se a tudo. Foi o que aconteceu a Ataíde após voltar da sua viagem épica ao norte de África. A partir daquele momento, embora mantivesse a coragem, passou a sentir que havia uma condição que se impunha. Sempre que lhe surgia uma oportunidade para navegar, averiguava se o iria fazer a bordo de uma embarcação evoluída, de acordo com o avanço tecnológico e náutico do seu tempo. Só assim se deixou embarcar uma e mais vezes como imediato em frotas da marinha mercante, embora continuasse a alimentar o sonho de vir a integrar a tripulação de uma embarcação da marinha de guerra.

Nas numerosas naus que fretou, Ataíde foi sempre demonstrando estar à altura das missões de que era incumbido. Desses tempos de passagem por vários portos do norte da Europa, guarda as inúmeras experiências que foi vivendo ao tomar contacto com outros povos e culturas. Tanto em Bruges como em Antuérpia, importantes rotas de comércio e transações, teve ocasião de conhecer realidades até então desconhecidas e às quais não estava habituado. Ali, onde chegavam os melhores produtos e especiarias que vinham do Oriente, por mais de uma vez aproveitou para adquirir bens cuja riqueza e raridade faziam com que fosse o homem mais esperado e amado na Quinta do Castanheiro.



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