17 ~ Ataíde e Eduarda, o chegar e o partir


Quando se encontra com Eduarda, após uma ausência de meses, sente que todos os seus sonhos ligados ao mar se desvanecem. Afinal existe sonho maior do que a sua prima? Bela e naturalmente sensual faz com que ele a procure e a não queira perder. Muitas vezes, em alto mar, pensava como seria se ela estivesse com ele para partilhar cada momento e cada desafio. Talvez por isso, assim que chega, queira contar-lhe tudo o que viu e sentiu enquanto andou por terras longínquas. E para sua grande satisfação, ela demonstra grande interesse por tudo o que ele lhe diz. Porém, os dias vão passando e, sem se aperceber, o Sete Mares vai-se atravessando cada vez mais no mar dos seus pensamentos. Eduarda, sentindo-o navegar para longe, desamarra-se do seu ar submisso e começa lentamente a querer assumir o leme, não só para o levar a manifestar sentimentos que a deixem feliz, como para quase o obrigar a assumir uma realidade que ela faz questão de conhecer. Eduarda não resiste ao desejo de querer agarrar o que lhe parece querer fugir. Ataíde, conhecendo a natureza feminina, vai fazendo por lhe agradar, cedendo no que pode; afinal, ele sabe que quando está longe sente a sua falta, e que é por ela que sempre quer voltar. Mas ainda assim, não consegue afastar o apelo do mar, sempre presente desde que se conhece, desde que com uma cana rabiscava no chão desenhos de barcos e velas. É este instinto tão vetusto que o faz reconhecer que chegou de novo a altura de partir. Quando uma vez mais se despede de Eduarda no cais, vê-a cerrar os lábios e retribuir um olhar terno, o olhar de quem também tem um sonho, um sonho por que vale a pena esperar.



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17 ~ Ataíde and Eduarda, arriving and departing

When he meets Eduarda, after an absence of months, he feels that all his dreams related to the sea are fading. After all, is there a dream bigger than his cousin herself? Beautiful and naturally sensual, she makes him look for her and not want to lose her. (…) However, the days go by and, without realizing it, Seven Seas is crossing more and more the sea of his thoughts (…) When he once again says goodbye to Eduarda on the pier, he sees her close her lips and return a tender look, the look of someone who also has a dream, a dream worth waiting for