5 ~ Ataíde na Doca com o amigo


Na doca, o que mais apreciava era a sensação de estar rodeado por todas aquelas embarcações. Quantos mais barcos via à sua volta melhor se sentia, fossem eles de recreio, de pesca ou outros que nem sabia bem para o que serviam. Quaisquer uns, com os seus mastros e velas agitadas pelo vento faziam-no sonhar. Com Ezequiel tentava descobrir as particularidades de cada um, e às vezes, para matar o tempo, fazia com ele um jogo, o de saber quem conseguiria adivinhar primeiro o nome da embarcação que, ao longe a rasgar a água, se ia aproximando.

Foi precisamente por esta altura que percebeu o quanto ansiava ser livre para poder ir à procura de uma aventura no mar. Sempre que via um barco de maior porte abandonar o recinto da doca, Ataíde ficava a segui-lo com o olhar, à espera de que as suas velas se abrissem, vendo-o deslizar na superfície da água em silêncio. Nessa altura sentia que algo se agitava no seu íntimo, como se algo o puxasse para seguir aquele mesmo caminho.



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5 ~ Ataíde with his friend at the Dock

Whenever he saw a larger boat leave the dock, Ataíde would stare after him, waiting for his sails to open, watching him slide on the surface of the water in silence. At that time, he felt that something was stirring inside him, as if something was pulling him to follow that same path