A obra cerâmica de Margalida Escales, feita de barro refractário negro, no seu atelier em Pórtol, Maiorca, evoca culturas arcaicas cuja memória a História esqueceu.

No entanto, na proposta que a artista agora apresenta no Museu Nacional do Azulejo podemos intuir um confronto civilizacional, materializando-se em objectos intemporais, simultaneamente arqueológicos e contemporâneos.

Por um lado a percepção de estruturas similares a edificações contemporâneas, ao movimento nocturno das grandes metrópoles com os seus arranha-céus, cuja iluminação provém das suas entranhas e cuja beleza só é verdadeiramente alcançada nesse tempo lunar.

Por outro, algumas estruturas evocam civilizações que nos fazem sonhar, quer sejam torres guardiãs, totens de divindades desaparecidas ou estelas com caracteres de linguagens extintas, onde a textura clara das superfícies remete para locais fustigados pela luz solar.

Também presentes, estão formas escultóricas, vagamente antropomórficas, parecendo testemunhar a passagem do tempo que delas removeu o detalhe, reduzindo-as à condição de volumes e texturas.