Um notável conjunto de objectos cerâmicos e projectos, sumptuários e funcionais, de grande qualidade decorativa, centrados na obra de Duilio Cambellotti.

A exposição que o Museu Nacional do Azulejo apresenta a partir de 21 de Novembro, deve-se ao Archivi Delle Arti Applicate Italiane Del XX Secolo e ao comissariado científico de Maria Paola Maino e Irene de Guttry, cuja erudição e empenho pessoal se assinalam, como força motriz de todo este acontecimento.

A cooperação entre a Embaixada de Itália, em Lisboa, através do Instituto Italiano de Cultura na pessoa da sua directora, a Professora Giovanna Schepisi, o Instituto dos Museus e da Conservação, através do Museu Nacional do Azulejo, possibilitou os meios materiais e humanos à sua realização, porventura abrindo um caminho de futura colaboração, nomeadamente com a apresentação dos acervos portugueses em instituições italianas.
Salienta-se ainda, a colaboração de numerosas pessoas e instituições que generosamente disponibilizaram peças das suas colecções, possibilitando esta magnífica apresentação da Cultura italiana em Lisboa.

Esta perspectiva do Modernismo na Cerâmica de Roma de 1910-1925, reúne um notável conjunto de objectos cerâmicos e projectos, sumptuários e funcionais, todos de grande qualidade decorativa, centrados na obra de Duilio Cambellotti, figura essencial não só pela sua capacidade de inovação artística como também pela criação de uma Escola de Cerâmica onde se viriam a formar novos autores e artífices especializados cujo trabalho marcou a produção das fábricas que, na década de 1920, prosperaram em Roma.
Notícia de uma produção marcada por um elegante Modernismo, entre a Arte Nova e Art Deco, esta exposição permite um singular contexto histórico da Cerâmica internacional que, pelo arco cronológico, pode ser cotejado com a modernidade portuguesa, construída na Cerâmica por Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, Costa Motta Sobrinho ou, já posteriormente, Jorge Barradas cuja criação cerâmica se articula com uma tradição colhida também na cultura italiana de entre as duas guerras, mestre de uma outra criação da Cerâmica em Portugal.

Através de cerca de 80 peças, entre objectos cerâmicos móveis, de revestimento arquitectónico e projecto, a exposição documenta um ciclo fulgurante da cerâmica em Roma e no Lazio, entre 1910 e 1925, em torno da obra de Duilio Cambellotti (1876-1960).