Quando pensamos nos conjuntos de azulejos que se encontram ainda na fase de procurar os elementos em falta, somos tentados a imaginar tratarem-se de painéis de pequenas dimensões, pois as grandes obras do Museu Nacional do Azulejo são todas já conhecidas. No entanto, o grande número de caixotes ainda em fase de inventariação revela, muitas vezes, grandes surpresas.

Uma dessas surpresas é um grande painel representando uma cena dos chamados Evangelhos Apócrifos, narrativas que não foram reconhecidas pela Igreja, denominada a “Entrada da Sagrada Família no Egipto e a queda dos falsos ídolos”. Segundo uma dessas narrativas, quando a Sagrada Família entrou no Egito, todos os ídolos pagãos do país caíram dos pedestais, ficando em pedaços. Assim, no painel, vemos dois anjos a conduzir a mula que carrega a Virgem e o Menino, seguidos por São José, junto a um altar com um ídolo pagão que começa a estilhaçar-se.

Esta excelente peça foi pintada de modo a simular uma pintura, com emolduramento e um plinto de talha, compondo uma imponente peça de aparato.

.

Painel A Entrada da Sagrada Família no Egipto

ENTRADA DA SAGRADA FAMÍLIA NO EGIPTO E A QUEDA DOS FALSOS ÍDOLOS

Lisboa, c. 1730-1750

c. 2,10 x 2,80 cm


Até à sua descoberta, conhecíamos na coleção do MNAz um outro painel, de menores dimensões, mas com emolduramento semelhante, do qual sabíamos, pela marcação na face traseira dos azulejos (tardoz), faltarem três filas de azulejos. Hoje é possível conceber como seriam esses elementos em falta, o que nos permite um entendimento visual diferente da cena conhecida como “Cristo e São João Baptista”.

Painel Cristo e São João Baptista

CRISTO E SÃO JOÃO BAPTISTA

Lisboa, c. 1730-1750

c. 1,40 x 1,28 cm